Chove e chove.

Chove e chove,

neva e neva

daqui ao infinito.

O céu é todo um mar profundo.

Todo o universo transborda em umidade

e a noite se fecha em si mesma.

Dentro do corpo apodrece,

a alma apodrece como as folhas caídas do outono

eles apodrecem

no ventre do inverno.

A chama desta vela é uma ilha de fogo

rodeada por todas partes de aguas oceánicas.

A vida é uma ilha rodeada de morte.

É inverno.

Mas na vasta solidão deste silêncio

fermentar, sinto muito, fúria do dragão,

a torrente de fogo, a energia exultante

da Primavera.

E quando eu acordo,

quando explode e se manifesta,

a morte será de novo

uma ilha cercada por toda parte

de vida.

Dokushô Villalba, 1987.

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5 Comentários Chove e chove.

  1. Fabíola

    Me ha gustado mucho la descripción poética de la muerte y el futuro renacer ,imagino que inspirado en estos días que azota Gloria en especial en algunos lugares entre ellos la comunidad valenciana.

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  2. isabel

    Cada manha, después de desayunar , mientras mi hijo de siete años todavía duerme, desde el confinamiento se me hace indispensable comulgar un poema de Dokuso. Es una bocanada de oxigeno a la falta de aire. Como me gustaría, todo pasa y todo queda, poder ir al templo unos días con mi hijo. Y compartir con el la belleza del silencio.

    Responder

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